Data: 10/08/2025 – 21:30
Local: Largo do Convento de S. Francisco (Pátio da Câmara), Mogadouro
Entrada Livre.
Tal como sucedeu noutros países marcados pelas correntes nacionalistas, a música espanhola experienciou, ao longo dos últimos dois séculos, uma dualidade estética: por um lado, a assimilação das tendências predominantes na cultura europeia; por outro, a valorização da tradição local como forma de construir uma identidade artística própria.
El Amor Brujo é uma obra que transpira a essência do flamenco, não só pela linguagem musical, mas pela intensidade dramática e simbólica que a percorre do início ao fim. Criada inicialmente como bailado por Manuel de Falla, com libreto baseado em tradições e lendas da cultura cigana andaluza, estreou-se em 1915 no Teatro Lara, em Madrid.
A narrativa acompanha o regresso de um espírito ao mundo dos vivos, determinado a impedir que qualquer outro homem tome o seu lugar junto da bela Candelas, sua mulher. O pretendente, Carmelo, vive atormentado pelas aparições deste espírito cigano, cuja conduta em vida fora tudo menos exemplar. Carmelo traça então um plano: convence Lucia, amiga de Candelas, a fingir-se apaixonada para atrair a atenção da sinistra figura, ganhando assim tempo para declarar os seus sentimentos e conseguir de Candelas o tão desejado ‘beijo do amor perfeito’. O espírito, iludido, acaba por ser exorcizado – vencido, enfim, pela força do Amor.
A obra conheceu várias versões ao longo do tempo. Falla compôs inicialmente para uma pequena formação de câmara, mas viria a orquestrá-la mais tarde, criando diferentes arranjos, entre os quais uma famosa suíte instrumental que se tornou repertório nas salas de concerto por todo o mundo.
A Zarzuela é um dos mais apaixonantes géneros musicais da vizinha Espanha. Uma das muitas razões para este fascínio é o facto de ela aliar (com o maior dos à vontades e sem incomodidades ou pruridos “intelectualizantes”) a cultura musical erudita e (estilizados transfigurados, por vezes quase em estado puro) elementos da cultura musical popular.
Curiosamente, a Zarzuela nasceu num pavilhão real construído em terrenos de caça onde o monarca espanhol, cansado, assistia a representações mais ligeiras. O pavilhão estava construído perto de um campo de sarças – em espanhol zarzas, daí o nome de zarzuelas às peças que ali começaram a ser apresentadas. Isto passava-se no século em que também nasceu a Ópera! Ora, tal como a Ópera, a Zarzuela sofreu depois evoluções que a transformaram enormemente. Tal como hoje é estruturada, encontramos várias afinidades entre ela e a opéra comique francesa, com parte do texto recitado e parte cantado.
Mas o que distingue a Zarzuela é a sua intrínseca ligação a Espanha e às suas melodias, ritmos e danças.
Ana Maria Pinto, Soprano
Vicent Romero, Tenor
Francisca Durão, Bailaora
Sofia Vaz Silva, Direção de Cena e Narração
Orquestra da Ópera na Academia e na Cidade
José Ferreira Lobo, Direção Musical